Na Subida do Morro
Na subida do morro me contaram
que você bateu na minha nêga.
Isso não é direito
bater numa mulher
que não é sua.
Deixou a nêga quase nua.
No meio da rua
a nêga quase que virou presunto.
Eu não gostei daquele assunto.
Hoje venho resolvido
a lhe mandar para a cidade
de pé junto,
vou lhe tornar em um defunto
Você mesmo sabe
que eu já fui um malandro malvado.
Somente estou regenerado.
Cheio de malícia,
dei trabalho à polícia
prá cachorro.
Dei até no dono do morro.
Mas nunca abusei
de uma mulher
que fosse de um amigo.
Agora me zanguei consigo.
Hoje venho animado
a lhe deixar todo cortado,
vou dar-lhe um castigo.
Meto-lhe o aço no abdômen
e tiro fora o seu umbigo.
Vocês não se afobem
que o homem dessa vez
não vai morrer.
Se ele voltar dou prá valer.
Vocês botem terra nesse sangue,
não é guerra, é brincadeira.
Vou desguiando na carreira.
A justa já vem
e vocês digam
que estou me aprontando,
enquanto eu vou me desguiando.
Vocês vão ao distrito,
ao delerusca, se desculpando:
Foi um malandro apaixonado
que acabou se suicidando.
que você bateu na minha nêga.
Isso não é direito
bater numa mulher
que não é sua.
Deixou a nêga quase nua.
No meio da rua
a nêga quase que virou presunto.
Eu não gostei daquele assunto.
Hoje venho resolvido
a lhe mandar para a cidade
de pé junto,
vou lhe tornar em um defunto
Você mesmo sabe
que eu já fui um malandro malvado.
Somente estou regenerado.
Cheio de malícia,
dei trabalho à polícia
prá cachorro.
Dei até no dono do morro.
Mas nunca abusei
de uma mulher
que fosse de um amigo.
Agora me zanguei consigo.
Hoje venho animado
a lhe deixar todo cortado,
vou dar-lhe um castigo.
Meto-lhe o aço no abdômen
e tiro fora o seu umbigo.
Aí meti-lhe o aço, quando ele vinha caindo disse,
- 'Morengueira, você me feriu",
Eu então disse-lhe:
- 'É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha nega’.
Você sabe que em casa de vagabundo, malandro não pede emprego.
Aí meti a mão lá na duana, saquei a peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, uma cidade que cresce dia a dia, indústria lá, vou te contar, agora é mato. Peguei o Vargolino pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum!, todo ensangüentado.
E as senhoritas e senhoras, como sempre, nervosas:
- “Meu Deus, esse homem morre, Moço! Coitado, olha aí, está se esvaindo em sangue’
Então veio aquela baba de quiabo.
- ‘Ora, minha senhora, dê-lhe óleo acanforado, penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até vacina Sabin’
Mas o homem já estava frio, tava na horizontal. Agora, o malandro que é malandro não denuncia o outro, espera para tirar a forra.
Então diz o malandro:
Vocês não se afobem
que o homem dessa vez
não vai morrer.
Se ele voltar dou prá valer.
Vocês botem terra nesse sangue,
não é guerra, é brincadeira.
Vou desguiando na carreira.
A justa já vem
e vocês digam
que estou me aprontando,
enquanto eu vou me desguiando.
Vocês vão ao distrito,
ao delerusca, se desculpando:
Foi um malandro apaixonado
que acabou se suicidando.
Composição: Moreira da Silva / Ribeiro Cunha
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É poesia? É prosa? ou é música? É tudo isso, ao mesmo tempo, é Samba de Breque!
Escutem a música lendo a letra, leiam a letra escutando a música. Perfeita!
Moreira da Silva e Ney Matogrosso é até sacanagem. Miseráveis!!!
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